| 7 de março de 2015

postado por AACI

Mulheres! Amo todas elas.

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Quando eu dei por mim, encontrava-me envolto pela absoluta escuridão, desconfortável, cada movimento restringido, desamparado, uma cacofonia sonora inquietante, todavia incapaz de vociferar. Subitamente, uma voz doce entoava, fracamente, num tom angelical, ao longe, cantando o som dos céus e me guiando ao paraíso. Toda atenção era absorvida por aquela voz que dispunha do poder de sufocar o desespero. Finalmente, a paz reinava naquele reino de confusões sensoriais. Não por muito tempo. Lá estava eu em um mundo oposto àquele que conhecia: gelado, ofuscante, turbulento, confuso, porém liberto. Estímulos inexplorados obrigando-me a imaginar um retorno a outrora escuridão melancólica. Mas, repentinamente, via a dona daquela voz que ouvira nos meus devaneios. A face mais bela e maravilhosa que jamais vira, o cheiro mais agradável absorvido, o toque mais delicado tocado, o calor mais ardente experimentado. Estava mais uma vez no paraíso. Mães! Mulheres! Amo elas.

O tempo cumpriu sua função e eu era, agora, o mais rápido dos velocistas, o mais forte dos halterofilistas, o mais corajoso dos aventureiros. Nada era impossível naquele mundo. Era capaz até de voar e viajar a outros planetas. Mas, lá, elas encantavam-se com suas bonecas de pano, penteando os seus cabelos animadamente e hipnotizadas numa conversa demorada e empolgante. Às vezes, tomando um chá, sem líquidos, apenas preenchidos de imaginação, paradas. Que coisa mais vazia, enfadonha e tediosa. Meninas! Mulheres! Amo elas.

Os ponteiros do relógio se moveram outra vez. Agora, elas são lindas, maravilhosas, divinas. Seu cheiro, seu calor, seu movimento, seu beijo, seu toque, tudo está harmoniosamente arquitetado em um único ser. Desenhado com pincéis de marta a estilo Da Vinci. Nem mesmo a impaciência, as aventuras, as traições, os descobrimentos, as experiências típicas da idade, são capazes de enfeá-las. Namoradas! Mulheres! Amo elas.

Avançamos. Neste momento, ela é minha e eu sou dela. Aparentemente, pura dicotomia paradoxal, no entanto são emoções complementares. Inimizade e companheirismo, paciência e inquietação, cumplicidade e animosidade, amor e fúria, uma luta de opostos em que não há perdedores nem vencedores. Um equilíbrio constante. Nesse universo de antítese, acabamos por ser um só amor. Ela me pertence e ao mesmo tempo é minha senhora. Esposas! Mulheres! Amo elas.

Passou novamente. Acredito que desta vez não haja nada semelhante. Que esteja ao alcance do amor agora experimentado. Na verdade, posso afirmar categoricamente que é o mais avassalador dos sentimentos, que não há nada que se equipare. Na mesma medida, todas as outras emoções são amplificadas. As preocupações não são mais as mesmas, os velhos hábitos não são lembrados, os cuidados são diferentes, a paciência muda, até mesmo a própria vida não possui mais o mesmo valor e significado que outrora. Tudo é ofuscado e distorcido pelo brilho que elas emanam. Filhos! Mulheres! Amo elas.

De novo, o tempo segue rumo ao último ato. Agora, embora não disponha do mesmo vigor físico de antes, daquela mesma força de então, daquela disposição perdida no passado, ela mantém vívido os mesmos sentimentos de ontem, alguns um pouco menos, obviamente, outros, porém, firmes. E depois dessa longa jornada juntos, contudo ínfima na métrica da vida, ao invés de cansaço, de desgaste, de esgotamento, de exaustão… Ela está mais viva, mais amorosa, mais bela, mais charmosa, mais linda, mais minha. Avós! Mulheres! Amo elas.

Por fim, perdoada todas as cacofonias sintáticas e semânticas, repito. Mulheres! Amo todas elas.

 

Autor: Marcos Nagaki