| 10 de maio de 2015

postado por AACI

Significado de “Mãe”

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Ao deparar-me com a tarefa de elucidar o significado da palavra mãe, senti-me feliz por abordar um tema tão próximo e, ao mesmo tempo, de tão grande valor lírico. Poderia eu valer-me do velho e bom Aurélio: “Mãe; nome feminino; mulher que deu à luz um ou mais filhos; mulher que dispensa cuidados maternais”. O tradicional dicionário cumpre o objetivo de significar palavras e expressões, todavia, neste caso, é incapaz de extrair a ternura que “Mãe” exige.

Assim, só poderia haver um lugar onde estaria o real significado de “Mãe”. As belíssimas obras literárias deixadas pelos mestres da literatura brasileira. Ouso-me transcrever o poema ” Para sempre” de Carlos Drummond de Andrade”.

“Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.”

Eis que todo o esplendor da palavra “Mãe” nos é revelado através dessa jóia literária. Contudo, percebo que a tarefa de conceituar esse simples monossílabo não é de fácil realização. Aliás, é dificílimo significá-lo sem cair na praxe ou ceder ao senso comum. Tarefa árdua essa caiu sobre os meus ombros. Sem um traço de reflexão, aprisiono-me no meu canto com tão amarga missão.

Nesse devaneio de ilusão, posto-me apenas a imaginar que “Mãe” não se define, mas se sente. Fecho-me em mim e ponho-me a recordar dos machucados curados, das febres tratadas, das tristezas findadas, das noites sonhadas, dos afagos feitos e da eterna paciência nas minhas impaciências.

 

Por Marcos Nagaki